Feliz dia do Ex

Você pode ler ouvindo Cry Baby – Melanie Martinez
Fiquei sabendo que você andou se encontrando em palavras minhas e que pra outras pessoas, disse que essas palavras eram na verdade, suas. Você se encontra em coisas que não te vejo, e hoje, especialmente hoje, resolvi te ver aqui, nesse bloco de notas que ainda nem foi usado. 
Oi meu querido ex, bem vindo ao seu texto. Ele é todo teu. 
O dia dos namorados tá dando o ar das graças e eu estou feliz. Feliz em ver que passaremos esse dia distante um do outro, feliz em saber que meu coração é capaz de amar novamente. E sabe, não precisei reaprender a amar. Não, eu tô amando como se nunca tivesse amado antes. Aqui entre a gente, me responde uma coisa: a gente um dia amou de verdade? Ou fomos apenas um caso nesses acasos adolescentes que duram o tempo que tem que durar? É, a gente foi só um caso. A gente foi ímpar quando deveria ser par, tu que é de exatas deveria entender isso. 
Entender. A gente nunca se entendeu. Calma, relaxa. As verdades doem quando são ditas assim, mas acredite: é uma dorzinha passageira, nada do que um chazinho não resolva. Assisti um filme esses dias que você deveria ver “Her”, e o que mais me chamou a atenção foi a frase “o passado é só uma história que contamos a nós mesmos”. 
Nós somos a história. Aquela página do livro que foi tão difícil de virar, mas que agora virou passado. E não cabe a nós contarmos ela por aí. Ela acabou no momento em que você assinou a última linha, mesmo sabendo que eu tinha um parágrafo e mais duas vidas pra contar. 
Me desfiz de ti aos poucos. O álbum no Facebook cheios de fotos nossas, foi colocado em modo privado. O que era público se tornou privativo em questão de segundos. Apaguei nossas fotos a cada dez dias. Uma por uma. Dez dias pra você mudar de ideia. Mais dez dias que passavam e nada. Mais um momento fotografado colocado na lixeira. Hoje me pergunto o porque disso tudo. Por que que apaguei tudo tão lentamente quando tu me apagou de tudo tão rápido? Por que eu insisti em continuar te ligando, te mandando mensagem, te procurando quando tudo o que tu queria era espaço? Por que eu te quis tanto quando tudo o que tu fazia era desistir pouco a pouco da gente? 
É por isso que eu digo: a gente não sabia amar. Não estávamos pronto pra amar, não sabíamos como o fazer, não sabíamos qual direção tomar quando o barco começava a afundar e afundar e afundar. Hoje eu descobri tudo isso e não foi com você. Não foi com você que a crise chegou e colocamos os pontos nos “is”. Não foi com você que a grana ficou curta e pedimos pizza contando as moedinhas, rezando pro vale vencido passar e conseguirmos o desconto. Não foi com você que o vendaval passou a ser calmaria. 
Entende? Não foi com você. E não é com você que sonho com um futuro que, meu bem, tá logo aí. Tu deixou de ser centro de minhas atenções há um bom tempo. Disse que te esqueceria e esse dia chegou. Chegou há meses, entendeu?
Esses dias arrumando a bagunça do meu quarto, mexendo em caixas antigas, encontrei uma toalha com os nossos nomes bordados. Era pro meu enxoval. Era pra nossa casa que um dia poderia ter sido chamada de lar. Mas lar é aquele lugar que você gosta de ficar, não é? Cê não gostou de ficar por aqui. Nós vivemos a teoria da toalha esquecida. Me desfiz de tudo que me magoava, de tudo que lembrava aquilo que tanto queria esquecer e sem saber, te guardei dentro daquela caixa no fundo do guarda-roupa.
Hoje, me desfiz da toalha bordada. Hoje, me desfiz completamente de ti. Hoje estou colocando um ponto final nessa história, nesse exato momento estou assinando a última linha. Nossa história acaba aqui. 
Feliz dia do ex.
Esse post faz parte da nossa Semana especial para o Dia dos Namorados. Leia todos aqui.  

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