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Abri o armarinho do banheiro dia desses e dei de cara com uma data de validade estampada na embalagem do sabonete, a data marcava 07/09/2018, daqui quase um ano, o que me chamou atenção foi que por coincidência do destino ou não, essa é a data em que faço aniversário, e, claro, não conseguiria deixar passar uma mensagem dessas, que o universo estava entregando para mim. Eu precisava escrever sobre.

Encarei a embalagem por alguns segundos, enquanto escovava os dentes com um rabo de cavalo alto no cabelo e viajei em minhas desorganizações de pensamentos. Parei há uns seis anos, fiquei um tempo pensando na garota com o coração na boca sofrendo a cada partida, na garota que mal sabia o que era amor, mas gritava aos quatro cantos que amava. Pensei depois na garota de quatro anos atrás, que se achava super madura por já ter quase dezoito anos, trabalhar e “saber o que queria da vida”. Enquanto usava o enxaguante bucal e encarava aquela data de validade, comecei a pensar que nós também temos “data de validade”, jamais seremos exatamente a mesma pessoa. Mudamos constantemente. As fases que chegam até nós, já chegam com datas para acabar, seremos e pensaremos daquele jeito por um determinado tempo e se você se permitir a oportunidade, aquele tempo acabará e dará a você a chance de encarar outra fase, talvez uma mais difícil de fato, mas você também estará mais capacitado para ela.
Quando eu olho para trás e lembro vagamente – porque minha memória é realmente péssima – da pessoa que eu era, eu sinto um aquecimento no coração, sabe? Parece que eu mudei tanto, de uma maneira tão necessária, parece que eu peguei cada errinho que cometi pelo caminho, encarei ele face a face e disse: “Olha erro, não podemos conviver juntos, não há espaço em minha vida para você, mas vou lhe dar os créditos por ter me mostrado, mesmo que de maneira um pouco complicada, em como acertar na próxima vez”. Quando olho para trás e percebo como cada fase que passei foi importante, até aquela em que mais cometemos erros que acertos, ou que achamos estar acertando e depois de uns belos anos descobrimos que não, até essas fases complicadas são muito necessárias, elas mudam nosso caráter, nossa visão de vida e mais, mudam a forma como encaramos as pessoas, aqui pelo menos, essas fases me deram compaixão de sobra para lidar com quem vier a “errar” comigo. 
O que completou meu pensamento sobre a necessidade de encarar cada fase, foi quando minha professora comentou sobre Pablo Picasso, disse que o artista mudou drasticamente durante toda a vida, suas obras confirmam isso, ele nunca foi estático, parado, ele renovava sua vida, constantemente e expressava isso através da arte conforme as fases se encerravam. Talvez quando você se encare hoje no espelho, perceba com mais clareza essas mudanças, no corte de cabelo, nas roupas que usa, no sorriso que esboça ou talvez seja algo mais interior, sonhos que mudaram, ideais, as maneiras de expressar o amor e de recebê-lo. Não seremos o mesmo para sempre, o importante é guardar direitinho o que cada fase proporciona para nós, pesar o que pode ser encaixotado e levado junto na mudança e o que pode ser descartado. As coisas acontecem em sua vida conforme você muda. 
Não sei como estarei na data estampada na embalagem no sabonete, quem estará ainda comigo, quem terá partido, quem terá chegado, mas sei que preciso passar por tudo que o destino me reserva até lá, encarar com a minha amiga coragem o que vier, pois tudo que vem hoje nos molda para o que virá no futuro. Não sei como estarei daqui a dez anos, mas sei como estava há dez anos e cada dia é uma construção nova de uma pessoa que sonho ser, a obra aqui jamais estará finalizada, mas conforme as fases vão se completando cada coisa encontra com mais facilidade o seu lugar e a bagunça da reforma vai diminuindo e abrindo espaço para uma casa confortável que chamo de lar, conhecido também por meu interior.  
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