É comum gritar aos quatro cantos: eu não me importo. Não me importo com nada, nem ninguém, nem coisa alguma. É bonito. É libertador. Mas seria o ideal? Digo ideal, porque certo é incerto demais. Não há verdade absoluta, ou se há, não acredito nela. Não acredito em certo e errado. Acredito em ideal. Acredito no que faz bem.

Seria o ideal não se importar com nada? É tudo uma questão de saber dosar. Não se importar com julgamentos alheios, com inveja, intriga, maldade, toxidade? Creio que sim. É bom não se importar com o mal que te desejam. Isso não lhe diz respeito, é problema externo, desde que o interno esteja em paz.

Mas digo em relação a outras coisas, sabe? Se importar com o outro, a tal da empatia, palavra bonita de falar e, mais bonita ainda, de colocar em prática.

É bonito se importar com alguém além de si mesmo. Pensar se tuas palavras vão provocar bons ou maus sentimentos em quem as escuta. Pensar se a brincadeira é brincadeira pra todo mundo ou só pra você. Se tem graça pro alvo também. Ou se ele vai dar uma risadinha na sua frente e, a noitinha, chorar quietinho no travesseiro.

Se importar é trazer pra si o sentimento do outro. É exportar seu coração pra dentro do peito do outro. É sentir tristeza se o outro também estiver sentindo. É ajudar, é tentar reverter. É exportar teu ombro pra quem tá precisando de um. Porque é fácil demais falar, palavras são lindas, saem da boca e voam como um vento. Mas é preciso fazer o difícil: agir. Oferecer o ombro, apoio. Mesmo que, para isso, seja preciso engolir o orgulho e a necessidade de deter a razão. Você consegue?

Importe pra si o que tá no interior do outro, sinta como se fosse com você. Tanto a alegria quanto a tristeza.

Importe porque você não sabe o que o outro sente.

Importe porque poderia ser você.

Importe porque é disso que o mundo precisa.

É o que eu acho, pelo menos. Não seria o ideal?

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