Eu te vi sentada no bar, conversando despretensiosa com o barman. Quem dera eu ter aquele super poder de escutar coisas de tão longe. Você bebia sua vodka com gim (eu suponho), e no meio da conversa você sorria de uma forma que eu jamais esquecerei. Um sorriso sincero, de quem realmente está ali aproveitando a noite.

Suas amigas estavam te rodeando. Poderia ser seu aniversário. Ou a comemoração de um novo cargo na empresa. Não sei explicar, mas você brilhava. Sua luz irradiava todo aquele ambiente. Não vou mentir, mas eu estava te observando desde a hora que chegou.

Na última dose da bebida, elas te arrastaram para a pista de dança. Eu vi você dançar leve e solta, curtindo cada batida daquele DJ famoso que eu nunca importei em saber o nome. Droga, se eu soubesse teríamos algo para conversar. Droga, eu também não sei dançar. A minha mãe me avisou que mulheres curtem homens que dançam e eu lembro de achar tudo aquilo uma idiotice.

Pedi ao barman a mesma bebida que tinha dado para aquela morena linda na pista. Ele trouxe exatamente o que eu supus: vodka com gim. Tomei num gole e esperei aquela coragem insana que todos esperam quando bebem uma coisa forte dessas. E não é que funcionou?

Fui para a pista mesmo sem saber dançar, com o copo na mão para parecer despretensioso. Percebi que sua amiga comentou de mim só pelo jeito que me analisou. Sorri. Você viu que eu me aproximava e abriu aquele mesmo sorriso que eu não vou esquecer. Arrisquei uns passos, senti a batida. Eu sabia que você não estava ali para paqueras. Você é aquele tipo de garota independente, que sai com as amigas só para aproveitar a noite.

Suas amigas te chamaram para ir embora, pela quinta vez. Não pude deixar de me surpreender com  seu abraço. Você o desfez e pediu desculpa timidamente e logo depois, me abraçou de novo. Você ficou. Mesmo que por alguns segundos, você me abraçou mais do que eu esperava. Mas a noite não podia ficar só assim. Eu só precisava saber o seu nome, não quero estragar sua noite, nem roubar seu coração. Quando você virou as costas, toquei seu braço e a única resposta que tive foi um “a gente se vê por aí.” Só espero que esse “por aí” não demore muito.

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