Que tal ouvir a música que eu escutei enquanto escrevia esse texto? Wish That You Were Here – Florence + the machine.

Vou abrir meu coração nesse texto, talvez como nunca tenha aberto em nenhum outro antes. Pois preciso falar sobre algo que se arrasta comigo desde que comecei a me relacionar com as pessoas. Preciso e quero falar, pois quem sabe exista alguém aí do outro lado que sinta o mesmo e a gente monte um clubinho e ache juntos uma solução, afinal esse é o foco de tudo que escrevo, falar aqui, para quem sabe te ajudar aí. O que acontece é que eu sou uma pessoa extremamente crítica comigo mesma, eu me analiso e me avalio o tempo todo, cada gesto, cada palavra, cada passo que vou dar, já vem seguido de uma chuva de críticas que despejo em mim. Talvez seja meu signo solar, virgem, ou caso você não acredite nessas besteiras, seja só a maneira que aprendi que deveria lidar comigo mesmas e com as pessoas ao meu redor.

Eu sinto quase o tempo todo que as pessoas que aparecem em minha vida, vão ir embora muito em breve, por culpa minha, como se eu fosse de alguma maneira espantá-las ou como se eu não fosse boa o suficiente para elas quererem ficar. Outra coisa, eu tenho a mania de me desculpar o tempo todo, de acreditar que qualquer passo que eu der é motivo para aborrecer alguém, então acabo me diminuindo até me tornar pequena a ponto de não incomodar. Acontece que é doloroso e improvável viver assim, é insuportável se desculpar o todo tempo apenas por ser você.

Aí outro dia, lendo o livro mais incrível que li esse ano, me deparei com a seguinte frase: “Quando você sente a necessidade de pedir desculpas ou explicar quem é, significa que a voz em sua cabeça está contando a história errada, significa que você não tem certeza sobre si mesmo”.

E eu fiquei pensando, caramba, eu tenho certeza sobre mim, eu sei exatamente quem eu sou a cada olhada de espelho, eu me conheço melhor do que qualquer pessoa, eu estou comigo há mais de vinte anos, então porque preciso explicar pra quem está de fora, quando tenho plena convicção de quem sou aqui dentro?

É claro que é necessário atenção para não machucar as pessoas ao nosso redor, é necessário avaliar alguns passos para não pisar no pé do outro, não é para você deitar na rede e dizer: nasci assim e vou morrer assim. Não! Somos metamorfoses, mudamos a cada instante e isso é mágico. O que quero dizer é que você não precisa se desculpar por ser quem é, e, além disso, não precisa ter tanto medo que as pessoas não te entendam e por isso decidam ir embora, se alguém não pode perder cinco minutinhos lendo seus detalhes para te compreender melhor, nem valia a pena tê-lo em sua vida mesmo.

Eu sou muito compassiva a dor alheia, eu realmente me doo muito para ajudar as pessoas.  Eu perdoo mesmo quando o mundo diz ser algo imperdoável, eu não sei guardar magoa por muito tempo e dificilmente ficarei brava com você por mais que meia hora, eu me esqueço dos motivos que me fizeram estar brava, mas jamais me esqueço dos motivos que me fizeram amar você. O engraçado nisso tudo que estou dizendo, é que comigo não sou assim, comigo eu sou durona, eu sou chata, eu sou analítica e mandona, eu não perdoo os meus próprios vacilos, eu não esqueço minhas pisadas na bola. Quer dizer, eu permito que meu coração distribua tudo de melhor que há nele por aí e não penso em deixar nada pra mim mesma. Não, isso precisa mudar, não sei aí, mas aqui definitivamente precisa.

E está mudando, aos poucos eu tenho falado com mais entonação na voz, aos poucos tenho declarado com mais firmeza meus ideais e posicionamentos. Aos poucos tenho entendido que quem quiser estar ao meu lado achará motivos para estar e o mesmo vale para quem quiser partir, e pouco é o meu poder sobre isso. Aos poucos estou deixando de lado o meu medo de magoar a todos e tenho abraçado uma vontade enorme de agradar eu mesma. Não peça desculpas, não se explique, não se inferiorize para caber em alguém. Seja seu próprio narrador, a história é sua. E se você tem certeza sobre ela, continue escrevendo e não entregue o lápis – ou caneta se preferir – para mais ninguém.

 

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