Eu passei pela porta da tua casa ontem, aquela, onde a gente se viu pela última vez. Eu respirei fundo, mesmo sabendo que nem aqui você mora mais, mas é que ainda sinto algum tipo de vestígio teu.

Queria que você não tivesse se mudado, ainda lembro o andar. Podia te fazer uma visita. Mas não seria uma visita no estilo flashback, sabe? Seria um reencontro. Uma reapresentação, porque já não sou mais a mesma e imagino que você também não seja. Eu te diria que aprendi a gostar de filmes de terror e que agora também gosto de futebol. Te perguntaria se você leu todos aqueles livros que te emprestei e se continuam na sua casa até hoje porque eu sempre detestei emprestá-los.

Te questionaria se você aprendeu alguma coisa comigo, porque eu aprendi e muito com você. Aprendi a amar de forma cautelosa, aprendi a não me jogar de cabeça, aprendi que nem sempre nosso amor é recíproco.

Te pediria pra me mostrar todos os pedacinhos meus que ficaram em você, porque li outro dia que todo mundo que passa pela nossa vida deixa um. Você deixou em mim algumas partes, alguns sonhos, aprendizados, desejos. Não imagino o que eu possa ter deixado em você e é por isso que pensei em te perguntar.

Antes de tudo te diria o que sempre quis dizer, mas você me bloqueou em todas as redes sociais antes que qualquer coisa pudesse ter sido dita. Diria que acho que peguei no sono ou me distrai por alguns segundos, porque não consegui entender em qual exato momento dessa história você resolveu desistir. Abandonar tudo e pronto. Que fiquei sozinha no meu quarto por uns bons dias tentando montar o quebra cabeça com peças faltando que foi em que o nosso relacionamento se transformou. Que fui ao cinema um dia depois, mas tive que sair na metade do filme pra chorar quietinha no chão sujo do banheiro.

Eu te diria tanta coisa. Ou te abraçaria por alguns minutos. Acho até que esqueceria todo esse planejamento bobo.

Na verdade, nada disso poderia acontecer. Você nem tá mais aqui. Foi tudo uma viagem louca que aconteceu na minha mente ao olhar pra porta da tua antiga casa, recordações do que eu nunca te disse.

Segui em frente, assim como tenho seguido desde sempre.

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