O mundo não vai parar de rodar se eu desistir de você. Os sinais da rua continuarão sincronizados, fechando na hora exata que eu colocaria as minhas mãos na sua nuca, fazendo uma leve massagem para te aliviar do estresse do dia a dia. Os seus cachorros sempre latirão alto quando alguém abrir o portão da sua casa, mas não será mais por minha causa. Eu não receberei flores compradas no meio de um desses sinais fechados e tá tudo bem. Eu posso sobreviver sem elas. Sem você.

Até as primeiras vezes acabam. A primeira vez que eu realmente achei que você fosse o cara da minha vida. Eu jurei de pé junto que era você. A primeira vez que você me fez acordar para a realidade e entender que a vida não é igual a esses filmes de romance que eu amava assistir. A primeira vez que eu olhei para você e senti que não. Não dava mais.

Não espere por mim. Segue sua vida. Segue em frente e não olhe para trás. Para tudo o que fomos e seríamos, se não fosse essa sua mania de querer estar sempre certo sobre tudo. Deleta meu número do seu celular, eu sei que você nunca soube ele de cabeça. Aí a gente evita de se falar novamente.

Espero de verdade que você encontre alguém. Que dê tudo certo na sua vida. Que todos os sonhos que você me contava, enquanto eu estava deitada no seu peito, se realizem. Pode ficar tranquilo que não irei mais frequentar os lugares que costumavam ser nossos. Nada de pizza no shopping, nem cinema na sexta à noite. Eu procurarei novas rotas. Sozinha. Mas, segue sua vida. Eu sempre suspeitei que nunca houvesse de fato espaço pra mim. Pra nós. E se tem uma coisa que a vida me ensinou, é nunca me diminuir pra caber num espaço que nunca foi meu.

Você sempre foi muito independente e dos seus sonhos eu nunca farei parte. Continue lutando por você. Tá tudo bem, viu? As horas vão passar, a Terra continuará completando suas voltas e movimentos de rotação e translação. O mundo não para até que um coração junte seus pedaços novamente. Não é o fim do mundo. É o nosso. Nosso amor morreu antes de brotar. Parece que você também sabia que não éramos para acontecer, mas ainda assim teimava.

Porque pelo pouco que sei – se é que eu sei algo sobre isso – é que amor não causa medo, não te faz sentir como se seus pulmões estivessem entupidos e não é como se seus órgãos fossem congelar a qualquer momento. A chama apagou. O que era quente e fazia o peito arder, congelou. Tentei. Tentamos. Mas algumas coisas simplesmente foram destinadas a terem fim. Eu vou sobreviver. Você também. E a vida voltará ao normal, não há problemas em reaprender a viver sem você.

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