Já não costumo mais me lembrar tanto de você, de nós. Quero dizer, ainda há momentos em que fragmentos de nossa breve história vêm à tona, mas nada comparado ao que foi nos primeiros meses. Nós estávamos andando sob um fio elástico, indo e voltando, até que o fio se rompeu e cada um guardou sua parcela de culpa em algum lugar profundo e incompreendido pela humanidade.

Naquele momento foi como perder todos os conceitos, todas as essências, mas no momento atual devo confessar que sinto algum tipo de nostalgia boa ao relembrar. Os risos estampados, os toques, as respirações, as angústias compartilhadas, os sonhos construídos… Tudo ainda permanece dentro de mim, mas em terceiro ou quarto plano – talvez.

Consigo me lembrar tão bem de alguns momentos que às vezes creio que está acontecendo de novo, posso reviver coisas tão belas e que mesmo neste contexto não devem ser deixadas para trás. Várias imagens passam por minha mente neste exato momento, mas nenhuma lágrima surge mais – perdi a capacidade de chorar a seu respeito – aquela menina super sensível não se encontra mais aqui. Porém ainda te escrevo em segredo, adquiri esse hábito na tentativa de me livrar do rancor, o que pareceu funcionar, e acabei gostando da brincadeira.

De uma forma sorrateira, a vida nos mostrou que separados funcionamos melhor e que não tem problema se durou pouco, porque tudo em algum momento acaba, ou pelo menos, se transforma. E a nossa transformação foi radical.

 

Texto da leitora Anatana. Quer enviar o seu? Clica aqui.

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