Esse não é um texto bonito. E nem tem exatamente um final feliz. Então, se é isso o que você está procurando, pode ir embora agora mesmo. Mas, sei lá, é uma história real, e eu sei que muitas pessoas passam por essa situação, então eu acho que ela precisa ser contada.

Eu tive depressão, ansiedade, pânico. Assim, na lata. Aquela coisa toda que a gente fala que é ‘frescura’, ‘hipersensibilidade’, ‘falta de louça pra lavar’. Eu pensei em me matar. Aquele ato de desespero sufocante que eu já descrevi como egoísmo e covardia. “Como é que alguém simplesmente se mata e deixa pra trás a mãe, o pai, o namorado? Que filho da mãe!” Mas, honestamente, nesses momentos a gente não pensa em ninguém. A dor que a gente sente é tão grande e tão silenciosa que a gente só pensa em como parar de senti-la. É quase um instinto de sobrevivência, essa necessidade de acabar com a própria dor. Irônico, né?

Já li muito sobre a depressão. A maioria das pessoas diz a mesma coisa: ela chega devagar, como quem não quer nada. E te domina, te destrói, te afasta de quem você é. Comigo foi um pouco diferente. Ela chegou avassaladora. Tenho até dia marcado. O dia em que eu perdi a minha felicidade. Me lembro bem do dia em que olhei pro céu, um céu azulzão, e não senti nada.

Ah, mas o céu nem é lá grandes coisas… isso é drama! Não, você não entende… o céu sempre foi tudo pra mim. Mesmo em dias tristes – daqueles que todo mundo tem – um belo céu azul sempre teve a capacidade de me deixar feliz da vida. Mas não naquele dia. Naquele dia, o céu era… nada. Ele estava de um azul estonteante e o sol ardia de tanta luz. E aquilo que antes costumava me causar euforia, agora me era indiferente e até, quem sabe, agoniante. Por que é que o dia estava bonito? Pra quê? As pessoas que eu amava agora eram só… pessoas. As coisas que eu amava fazer eram só coisas. O lugar que eu mais amava no mundo era só um lugar. E o meu céu, o meu lindo céu azul, era só o céu.

Achei até que fosse TPM, que fosse drama, que fosse sinal de Deus para mudar de vida. Ia passar – eu pensei, quando fez seis dias que eu estava me sentindo mal. Há! Achei que quando completasse uma semana eu me livraria daquela agonia. Foram dez meses. E até hoje eu ainda sinto um sufoco de vez em quando.

Eu tinha perdido a alegria. A vontade de viver, a vontade de amar, de realizar meus grandes sonhos. Pra quê, afinal? Se no final das contas os sonhos não se realizam, os amores acabam, as pessoas vão embora e só sobraria eu com as minhas frustrações? Pra quê viver mais e adiar um futuro odioso do qual eu já estava certa?

Minha garganta fechava, meu peito doía, eu queria chorar e gritar. Era como viver num pesadelo 24 horas por dia, como ter insônia durante semanas seguidas. Sabe, quando você passa a noite inteira rolando na cama e pedindo pra Deus ou qualquer outra coisa acabar com aquilo? Deus! Quem era Deus? Se Ele se diz tão bom assim, por que é que ele estava fazendo isso comigo, do nada? Deus não existia. E se existia, tinha me abandonado.

Eu pedi ajuda, eu precisava sair dali. Se Deus, que costumava me ajudar em tudo, tinha me abandonado, eu ia arrumar alguém que pudesse me ajudar. Psicólogo, psiquiatra, remédios. Ah, eu passei por isso tudo. Mas quem disse que adiantava? Mais dia menos dia aquela vontade de passar o dia todo na cama voltava. Eu não queria morrer, eu não queria desistir. Eu queria voltar a ser quem eu era, porque aquela pessoa era incrível. Mas como? Até no Google eu procurei pra achar respostas… E nada. Será que não tinha ninguém nesse mundo de sete bilhões de pessoas para acreditar em mim e me ajudar?!?!

Que bom que eu encontrei a resposta em mim mesma. Você lembra daquela cena de Titanic em que o Jack questiona a Rose sobre o que a tinha feito pensar que não havia mais saída? Pois é, que bom que eu assisti esse filme umas quinze vezes e resolvi me questionar isso também. Nada havia acontecido. Deus não me abandonou. O que acontecia era o contrário. Eu estava tão ocupada com aquilo que o resto do mundo considerava importante que me afastei da minha fé na vida, da fé nós meus sonhos – que é o que eu sempre considerei importante. E permiti que energias ruins se aproximassem de mim. Eu entendi isso e agora queria aquilo longe de mim. Eu faria o que fosse preciso pra conseguir isso.

Eu queria chegar agora, no final desse texto, e dizer que eu consegui, que hoje eu olho pro céu e sinto aquela alegria danada de novo. Sinceramente, de vez em quando acontece mesmo. Mas eu sei que já não sou a mesma pessoa. Talvez isso faça parte do processo de amadurecimento, nem sei. Mas tô no caminho, tô lutando. E não pretendo desistir tão cedo. O que me dá forças pra continuar são as pessoas ao meu lado, família, amigos, amor. Vontade de ser alguém, vontade de realizar, sim, os meus sonhos. E tô indo. Eu perdi minha felicidade por aí. Não sei onde, nem quando, mas eu tenho certeza… eu vou encontrar. Ah, mas eu vou mesmo.

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