Difícil olhar pra você e imaginar que um dia você já me fez a menina mulher mais feliz do mundo. Olhar pra você é como ver o tempo passar mesmo tendo passado tão pouco tempo, é ver as coisas mudarem mesmo tudo estando intacto aqui dentro. Olhar pra você é não reconhecer quem és, quem sou e quem somos.

Talvez por ser outra época fôssemos tão diferentes, sonhadores e esperançosos. Tudo era alegria, tudo felicidade, tudo diversão e tudo muito amor. Não sabíamos o significado de responsabilidades e talvez nem a tivéssemos com nós mesmos.

Éramos da vida, éramos do sentimento, éramos do nosso amor.

Eu pensei muito em nós e confesso que até chorei quando deitei a cabeça no travesseiro por pensar que o autor da nossa história resolveu encerrar o texto. Texto? Acho que estávamos mais para um livro, não é mesmo? Livro, texto ou carta. De qualquer forma precisava de uma continuação. Os leitores pediam, os personagens imploravam, o enredo precisava… Mas o autor é quem manda, e ele mandou você seguir por outro caminho. Te ver é como ter a impressão que tudo não passou de um sonho, que tudo não passou de uma mera invenção. É que você está tão diferente, não me leve a mal, nem sei se sua mudança é para melhor ou pior, já faz tanto tempo que a gente não se fala… Viu só que contraditório? Nem eu sei mais quanto tempo você foi embora. Parece que foi ontem que você disse que não teria mais volta e que assim era melhor, mas os dias demoram uma eternidade pra passar.

E te confesso que eu torço pra que eles passem o mais rápido possível. Sério. Um dia pra mim pode levar um eternidade, mas e se essa eternidade me trouxer você de volta no futuro? Sim, eu ainda fico imaginando uma reconciliação. É que eu não admito que nosso conto de fadas desastroso possa ter um final.

“Vocês foram feitos um para o outro”. Você ouvia o que eles diziam e você sentia o que eu sentia. Nem ao menos sei se há palavras para descrever aqueles dias de verão que passamos juntos.

Não foram dias, foram anos, mas vivíamos sempre no verão: com o calor tomando conta do nosso corpo, a brisa ecoando nas nossas mentes e nos deixando mais leves, renovando nossas energias a cada mergulhada na imensidão de um beijo.

O que fizemos? O que fizemos com nós mesmos? O que fizemos com o que construímos? Deixamos para trás e fomos para uma nova cidade? Guardamos dentro de um baú e enterramos na areia?

De qualquer forma, seja lá o que foi feito: uma hora (eu espero) nós vamos sentir saudades. Uma hora o inverno congela demais, uma hora a saudade do aconchego do antigo lar bate, uma hora tropeçamos na pontinha do baú que ficou pra fora da areia. E aí meu bem, quando a saudade bater, não pense duas vezes em vir me ver.

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