Eu lembro que no dia que eu resolvi ir embora São Pedro chorava junto comigo. Enquanto eu estava no ônibus, voltando de um longo dia de trabalho, a chuva não parava de cair. E junto com ela, minhas lágrimas rolavam. Naquele momento em que tocava nossa música no fone de ouvido, passava um filme na minha cabeça. Eu lembrava do seu sorriso, da sua risada sem som e daquele brilho peculiar que seu olho tem, apenas no canto direito. Se a física explica tal refração, eu não sei. Só sei que doeu demais aceitar que eu não veria esse brilho mais. Eu não queria esquecer nenhum detalhe seu, nenhuma história nossa. Mas eu precisava. Não podia viver para sempre presa na história em que eu era a única personagem.

Queria que um dia você lesse esse texto aleatório que escrevo hoje e entendesse que eu precisei ir embora. Eu não podia mais continuar vivendo numa relação que sugava todas as minhas forças. Eu sei que você me amou. Eu também amei você. Mas não dava. Nós perdemos a sintonia. Perdemos os sonhos e a vontade de fazer acontecer. E quando um para de lutar, o outro precisa desistir também. Não existe história de amor só com a mocinha. Aprendi muito bem com a minha mãe que não se deve caminhar sozinho e só depois de um tempo, eu notei que estava na estrada deserta. Você já tinha abandonado o carro. Eu me amo o suficiente para saber que o que você me oferecia não era suficiente.

Eu fui embora sem olhar para trás. Precisava encontrar meu caminho, mesmo que sozinha. Precisava lutar minhas batalhas e aprender a conviver com a decisão de não ser mais sua. Virei dona de mim mesma. Virei a página e sorri por ver uma folha inteira em branco. As respostas que eu tanto procurava dentro de você, estavam eram dentro de mim o tempo todo. Tive que reaprender a viver sem você e, olha, não foi tão ruim quanto eu pensava.

Aprendi a quantidade certa de pó de café + água. Aprendi a dormir numa cama de casal sozinha, aproveitando cada espaço dela, sem nem me encolher num cantinho. Agora eu não aceito qualquer coisa. Qualquer pessoa. E você tem culpa. Depois de todo esse fim, eu aprendi a ser exigente e sei exatamente aquilo que não quero para a minha vida.

Acho que você não esperava que eu estivesse tão bem assim. Pois é, eu sobrevivi à você.

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