Quando eu vou esquecer você?

É real. Eu não consigo esquecer você. Já se passaram dois anos, duzentos e trinta e poucos dias e não tem um dia que acabe, que eu não passei pelo menos alguns segundos pensando em você. Eu sei que fui eu quem te mandou ir embora, mas é que por tanto tempo eu jurei para mim mesma – e para nós – que você era o amor da minha vida. Acreditei que nossa história estava pré destinada a acontecer, desde o primeiro choro que eu dei na vida. Lutei tanto por você e por nós para chegar no final de tudo e perceber que em nenhum momento você nasceu pré destinado a mim.

No meio das minhas longas madrugadas de insônia, eu te escrevi. Não sei foi culpa da saudade ou solidão. Eu abri a sua conversa – apagada – no WhatsApp e digitei tudo que estava entalado na minha garganta. Queria te contar como anda a minha vida e saber se você tem seguido o caminho dos seus sonhos. Não era te pedindo para voltar. Mas não enviei. Dessa vez eu sei que a culpa foi minha. No fundo, bem no fundo eu sabia que você não era o cara certo para mim. Nossa história não passou de uma história de alguns verões.

Hoje eu vejo as suas redes sociais, observo suas conquistas daqui de longe e me pergunto se por algum momento do seu dia você lembrou de mim. Seja passando na porta daquela loja de departamentos esportivos que sempre íamos ou quando toca no rádio do seu carro a música que costumava ser toda nossa. Sei que agora você tem novos gostos musicais, indo de Criolo, Maria Betânia e samba, mas você ainda escuta Rubel quando bate aquela saudade?

Escrevo esse texto como prova de que vou te esquecer. O dia exato talvez eu não seja capaz de descobrir, porque eu espero estar bem ocupada com algo que ocupe o espaço do meu coração que costumava ser todo seu. Daqui uns anos eu vou encontrar essas palavras perdidas no meu bloco de anotação e perceber que não restou mais nada de você em mim. Vou ouvir à nossa antiga música e nem lembrarei que um dia dançamos juntos a mesma canção. Viajarei para o lugar da nossa quase lua de mel acompanhada de alguém que nasceu pré destinado a mim, sentaremos ao pé de uma lareira quentinha com taças de vinho tinto e saberei que estou exatamente no lugar certo, na hora certa e com a pessoa certa.

 

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Tem coração que bate. O meu, escreve. 24 invernos bem capricornianos, colecionadora de passagens de viagens, não pensa duas vezes antes de botar o pé na estrada. Mas cursa Jornalismo, é estagiária e você sabe como é, né? Tenho mania de não falar pelos cotovelos, mas escrever como um furacão.
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