Resenha: A filha perdida – Elena Ferrante

A resenha de hoje é para quem gosta de livros com temas mais sérios, sóbrios e também para quem está a fim de embarcar pela primeira vez numa leitura desse tipo e procura um livro que seja tranquilo de ler!

Eu conheci a escrita de Elena Ferrante através desse livro e me encantei desde as primeiras páginas. O livro é curtinho, e deixa bastante espaço para o leitor refletir! Creio que as palavras que Ferrante  não escreve, as que estão implícitas, são as que tem mais força nesse livro (e também nos outros que já li da autora). Essa frase do livro retrata isso:

“Mas eu não invento nada, só escuto, o não dito fala mais que o dito”

Um ponto bem marcante das obras dela é a forma como ela aborda a maternidade, de maneira bem crua e sincera – chegando a assustar quem ainda não é mãe (e provavelmente quem já é também, rs). Quem conhece e gosta de Lionel Shriver, as duas se assemelham bastante nesse aspecto (exceto pelo fato de que a linguagem usada por Ferrante é extremamente mais simples do que a usada por Lionel), então fica a dica!

Sinopse: “As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.” Com essa afirmação ao mesmo tempo simples e desconcertante Elena Ferrante logo alerta os leitores: preparem-se, pois verdades dolorosas estão prestes a ser reveladas. Lançado originalmente em 2006 e ainda inédito no Brasil, o terceiro romance da autora que se consagrou por sua série napolitana acompanha os sentimentos conflitantes de uma professora universitária de meia-idade, Leda, que, aliviada depois de as filhas já crescidas se mudarem para o Canadá com o pai, decide tirar férias no litoral sul da Itália. Logo nos primeiros dias na praia, ela volta toda a sua atenção para uma ruidosa família de napolitanos, em especial para Nina, a jovem mãe de uma menininha chamada Elena que sempre está acompanhada de sua boneca. Cercada pelos parentes autoritários e imersa nos cuidados com a filha, Nina parece perfeitamente à vontade no papel de mãe e faz Leda se lembrar de si mesma quando jovem e cheia de expectativas. A aproximação das duas, no entanto, desencadeia em Leda uma enxurrada de lembranças da própria vida — e de segredos que ela nunca conseguiu revelar a ninguém. No estilo inconfundível que a tornou conhecida no mundo todo, Elena Ferrante parte de elementos simples para construir uma narrativa poderosa sobre a maternidade e as consequências que a família pode ter na vida de diferentes gerações de mulheres.

Uma das coisas que mais me fez gostar desse livro foi a construção das personagens femininas! São mulheres muito reais, livres de estereótipos e que de uma forma bem crítica expõe aquilo que o ser humano tem de melhor e de pior.

Nessa trama somos apresentados a Leda, que decide tirar ferias no litoral da Itália depois de suas filhas irem para o Canadá morar com o pai. O sonho de um tempo em paz é interrompido por uma grande e típica família italiana que está passando férias na mesma praia que ela. Leda começa a observar intensamente essa família, o que desperta nela os mais diversos sentimentos e reflexões, acerca, principalmente, da sua forma de encarar a maternidade.

“As coisas mais difíceis de falar são as que nós mesmos não conseguimos entender.”

O livro não enrola muito, é bem direto ao ponto, mas sem deixar passar qualquer detalhe importante – a história e muito bem construída e estruturada.

Ferrante expõe dilemas e sentimentos humanos de uma forma muito sincera, é difícil se desligar dos personagens dela depois de terminar o livro. O livro, como já disse, apesar de curto, tem uma mensagem muito forte, é angustiante, muito real e acima de tudo extremamente inteligente! Recomendo muito a leitura!

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